- Por @scom Domingo, 27 de Setembro de 2026
De um relacionamento entre Doraci e Chico Moisés, ambos alcóolatras, surgem três filhos com atraso de desenvolvimento: José (Doda) que, na infância, não conseguia andar, apenas se arrastava e chegava a ser deixado em cima do fogão de lenha, época em que a família morava em um casebre no sítio Bom Retiro; Maria (Pirrita), com características semelhantes, incluindo o retardo mental; e o caçula Antônio (Totonho), com nanismo, porém apresentando melhor raciocínio. Os três perderiam a mãe ainda crianças, o menor com dois anos, e seriam abandonados pelo pai, que contraiu relacionamento com Maria Felismina e se transferiu para Imaculada-PB. Praticamente abandonados, tiveram a sorte de serem acolhidos pela tia Maria do Carmo, a generosa que, mesmo não se casando, se transformou em verdadeira mãe de diversos viventes, a partir de sua própria genitora que enlouqueceu e durante 11 anos teve o seu amparo. O pai, acometido do Mal de Alzheimer, foi merecedor de sua assistência até os seus últimos dias de vida. O sobrinho Francisco, trouxe sua mãe, de nome Tereza, para os seus cuidados, visto que era doente e não se entendia com a nora. Criou também Antônio Taboca, que apareceu do nada e, pela necessidade, teve sua proteção até a morte. Pelos atos praticados, e muitos outros amparados, sua residência tornou-se conhecida como “A Casa da Caridade”.
Doda se mostrava inquieto, mexia em tudo que estava ao seu alcance e, quando contrariado, chegava a disparar seu repertório de palavrões. Pirrita, quando se irritava, promovia autoflagelo, chegando a bater a cabeça contra a parede. Totonho, o mais comedido, destacava-se por teimas mais amenas. Pelo tamanho, os irmãos se mostravam engraçados, em uma época sem maldade, fato que não constituía qualquer tipo de discriminação, visto que tanto eles como os gozadores se divertiam com o que era tido como brincadeira. Por outro lado, os seus procedimentos infantis soavam como descontração e folclore. O mais velho viveria 45 anos, com falecimento no dia do próprio aniversário. A segunda sucumbiria prestes aos 50 anos, enquanto Totonho seguiria como sobrevivente, tendo comemorado, em 11 de janeiro de 2026, 62 anos de vida, como única companhia de Maria do Carmo que já chegava aos 94. Se Doda gostava de ir à delegacia, mantendo amizade com as autoridades, Totonho chega a evitar a Polícia, visto que acabou herdando o vício dos pais, intensificado a partir da contemplação do benefício social, chegando a embriagar-se várias vezes por semana, fazendo graça e alcançando ibope natural das redes sociais, nos flagrantes que postam a seu respeito. Nas asas da imaginação, chega a declarar-se vaqueiro habilidoso, o que já bradava no tempo de criança, visto que a infância continua presente em sua vida adulta. Enfim, o registro da história vivenciada na ajuda mútua, representada, ao seu final, por dois importantes personagens: o Pequeno Totonho e a Grande Maria. Fonte: o livro Mãe d’Água do Romano. Autor – Damião Lucena.
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