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Mãe d’Água na História: Cemitérios de Bexiguentos e Jazigos Residenciais

      No final do século XIX e início do século XX, as pessoas com doenças infectocontagiosas não eram sepultadas nos cemitérios municipais e nem nas igrejas. Ainda doentes, eram obrigadas a se isolar dentro do mato para evitar o contágio dos demais e, quando morriam, um doente enterrava o outro. No sítio Muquém, município de Mãe d’Água, uma estrutura do tipo passou a ser motivo de pesquisa, a partir de visitas e levantamentos, no qual algumas crianças e pelo menos dois adultos estariam sepultados. A construção, com muros de tijolos e pedras, ainda mantém uma cova com os restos mortais de Jusalina da Conceição, cuja morte teria ocorrido às 8h, e seu esposo Serafim Gonçalves, no cair da tarde. Os dois foram enterrados juntos na manhã do dia seguinte.

            A equipe do Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que contou com a participação de dois bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), catalogou 25 cemitérios de bexiguentos e, como forma de valorizar a memória dos falecidos, lançou um livro intitulado “A Morte Desprezível”. A pretensão é estudar os seus restos mortais para buscar possíveis identificadores ou marcadores das doenças que levaram tantas pessoas à morte. O paleontólogo e arqueólogo Juvandi de Souza Santos, que esteve algumas vezes em Mãe d’Água, explicou que muitos desses males deixavam marcas profundas nos ossos, a exemplo da tuberculose, catapora (bexiga), sarampo, cólera, varíola, difteria e a peste negra. Para ele só a exumação e escavação arqueológica, dará condições de identificação das causas das mortes dos que foram sepultados nesses locais. 

            Por outro lado, Mãe d’Água também se insere no rol das localidades que no passado mantinham jazigos em suas próprias residências, a exemplo do que ocorreu em Catolé do Rocha com os restos mortais do governador João Agripino. um dos casos relacionados está na Fazenda Serafina, onde foi construído um jazigo, depois do espaço existente na lateral de uma capela ter servido para enterrar anjinhos; para abrigar os corpos do seu proprietário Zé Cirilo, sua esposa Merquíria e o filho João. Fonte: o livro “Mãe d’Água do Romano”, autoria de Damião Lucena.

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