
Muitas são as referências de Mãe d’Água na lembrança de várias gerações, algumas das quais ecoando até hoje como pontos de reflexão. Em meio as figuras que marcaram época e deixaram saudades está o folclórico Assis, que desde a infância até a fase adulta viveu como criança, em um cenário de pobreza e incertezas. Filho de José do Carmo de Oliveira (Zé Chibarra) e de Noemia Campos de Oliveira, ele nasceu no sítio Olho d’Água Velho, integrando a prole com os irmãos: Cícero, Antônio, Damião, Adão, Iracema, Iraci e Doraci. Há informações, sem uma confirmação convincente, de que o seu problema teria sido originado de uma cabeçada dada por um carneiro, atingindo as faculdades mentais e prejudicando a locomoção física, valendo destacar que outros dois dos seus irmãos: Damião e Iraci, apresentavam comportamento semelhante.
Ao atingir a adolescência, era encaminhado para a zona urbana com a missão de entregar mocó abatido por seu pai em algumas residências. O roedor, bastante comum na caatinga, por muito tempo fora uma das iguarias integrantes da gastronomia regional, antes do processo de proteção da espécie, pelos órgãos de proteção ambiental. Nesses deslocamentos, Assis foi gostando da cidade, para onde passou a fugir com frequência, transformando-se em um pedinte e constituindo uma atração pelo seu jeito chamativo e diferente de ser. No sítio sempre viveu um cenário de privações, em um casebre de taipa, com família numerosa, alimentação precária, falta de escola e pouquíssima assistência à saúde. Adquiriu gosto pelo café e na adolescência aprendeu a fumar. Eram os dois produtos mais pedidos por ele, onde passava, a qualquer hora. Para muitos era uma figura engraçada, chegando a ser motivo de deboche e desrespeito, com insultos que o deixavam irritado, o obrigando a ação própria de defesa que incluía palavrão, lançamento de saliva e, quando atingido pela ira, chegava a tirar a roupa em praça pública. Livre do que considerava ameaça, era uma figura dócil, que cativava os que lhe tratavam bem, principalmente aqueles que lhes davam algo para comer ou beber, chegando ao ponto de convergir sempre ao encontro de suas respectivas casas. Passou a ser conhecido por Assis da Mãe d’Água e ganhou a amizade de alguns proprietários de carros que faziam a linha entre a sua terra natal e a cidade de Patos, para onde seguia com frequência, a princípio retornando no mesmo dia e, mais tarde, permanecendo por determinados períodos. Entre os que lhe davam carona, figuravam “Dequim Moisés” e “Delmar Ferreira”.

