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Mãe d’Água na história: o Xeque Mate que deu Vida ao voo de Leandro

       Em meio aos exemplos de superação que contaram, de alguma forma, com a ajuda do xadrez, reside Leandro Lustosa Pereira, que nasceu em 23 de outubro de 1998, no município de Mãe d’Água. Sua mãe, Rosângela, filha de Francisco Joaquim Pereira e Angelita Lustosa de Lima, residia no sítio Cariri, enquanto seu pai, ausente desde o primeiro lance, não chegou a fazer parte do seu conhecimento. Naquele cenário rural viveu a infância e ingressou nas letras, tendo uma jovem conhecida por Beta como primeira professora. Na Escola Manoel Nunes aprimorou a paixão pelo conhecimento, permanecendo até a conclusão do ensino fundamental, momento em que guardou na memória um episódio marcante: naquela ocasião, não tinha condição financeira para participar da festa, principalmente no que se referia à aquisição do terno rosa bebê com gravata pink, realidade mudada pela iniciativa de Ana Susana Rocha, a quem classifica de anjo, graças à qual consegui estar ao lado da turma e celebrar a conquista. Outros docentes da terra, que continuam presentes em sua lembrança: Shirley de português, Laura de matemática e Vinicius de ciências.

        No período de adolescência vieram os primeiros contatos com o xadrez, tendo na pessoa de Severino Amâncio (Biu) o instrutor, incluindo algumas aulas na cidade de Patos, para onde convergia nas tardes de treinos em transporte da prefeitura, oportunidades que o aprimoraram sem, no entanto, ter participado de qualquer campeonato à falta da Carteira de Identidade. O tempo passa e aos 14 anos acompanha sua mãe na transferência para São Paulo, onde tentariam a sorte por melhores dias. Enquanto a genitora desenvolvia atividades de sobrevivência em um restaurante, o jovem sonhador buscava uma oportunidade de sequência dos estudos, batendo à porta da Escola Prefeito Patrici, na rua Carlos Drumond Andrade, 327, no Parque Cumbica em Guarulhos. O momento foi, ao mesmo tempo, desafiador e transformador. Na chegada, a vaga foi negada, porém, a ironia da mãe somada à habilidade do filho mudou a realidade, constituída em uma única frase: “Que pena, ele é um menino tão bom e, ainda por cima, joga xadrez”. A declaração fez crescer os olhos do diretor, visto que a unidade de ensino se destacava na referida modalidade, resultando no acolhimento. Logo veio o destaque em campeonatos estaduais, representando a instituição onde cursou o ensino médio e, em seguida a conquista de uma bolsa-atleta que lhe permitiu ingressar na Universidade Presbiteriana Mackenzie, onde cursou Direito, na condição de pioneiro da família na formação superior. 

            Leandro participou de importantes campeonatos em equipe, especialmente no xadrez universitário, conquistando títulos nacionais e fortalecendo a disciplina, estratégia e perseverança. No paralelo, como forma de manutenção, trabalhou em call center, setor no qual seria promovido a monitor e analista de qualidade. Sem dispensar as oportunidades de voos mais altos, passou a atuar como comissário de bordo, viajando por 17 países, cada um com diversidades históricas. A Jamaica, por exemplo, lhe encantou pela beleza e a Tailândia lhe é tida como a maior experiência espiritual. Contudo, em todos os trajetos, ao contemplar a paisagem proporcionada da janela do avião ou no caminhar das ruas tão diferentes das que cresceu, pega-se pensando: “O menino humilde de Mãe d’Água passou a ser cidadão do mundo”. E naquela afirmação de que o céu é o limite, ingressou no curso de formação de piloto, alimentando mais um sonho de jovem, na concepção de que não basta apenas servir quando se tem o dom de comandar.

            Por gratidão tem em um dos padrastos, Reginaldo Ernesto, o biológico de sua irmã Lívia, a figura do verdadeiro pai. O outro mano, cujo genitor é natural de São Paulo, tem o nome de Lucas Davi. Tendo como ponto fixo a terra que o acolheu, inserida no estado mais populoso do Brasil, o filho da Mãe d’Água sintetiza a sua própria existência nos termos: “Minha vida é a prova de que a humildade não limita os sonhos, e a educação, a coragem e a gratidão podem levar qualquer pessoa a voar cada vez mais alto”. Fonte: Livro “Mãe d’Água do Romano”. Autor: Damião Lucena.
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