
Entre os grandes personagens da cultura popular, vislumbramos a figura de Romano da Mãe d’Água, que nasceu em 1835 e faleceu em 1891. Foi ele o maior cantador de viola do seu tempo, tornado legenda pelas famosas pelejas com Inácio da Catingueira, conhecido como o gênio escravo. Filho do colono português Francisco Inácio da Silveira Caluete, que chegou a essas terras por volta de 1800, Romano é reconhecido como filho natural de pais não casados, a exemplo do seu irmão Veríssimo (cangaceiro e cantador), frutos do relacionamento com Joaquina Maria do Espírito Santo – índia sucuru de ancestralidade Africana, ou seja, um misto de índia e negra.
Ficou memorável nos fastos da cantoria o combate de Romano com Inácio da Catingueira na Vila Imperial dos Patos, no pátio da antiga feira, nas adjacências da igreja velha, iniciado em 29 de junho de 1874, um dia de sábado, em pleno São Pedro, com a assistência de quase toda a população. O evento se transformaria na página mais falada dos anais da cantoria. O encontro foi provocado por Firmino e Crisanto Ayres Albano da Costa, abastados fazendeiros no Vale do Piancó, cujo interesse era proporcionar uma atração a mais no casamento de uma de suas irmãs.
Romano também deixou um filho poeta e cantador, de nome Josué, que nasceu em 1874 e faleceu em 1913. A importância cultural de Romano, trouxe a Mãe d’Água, em 1988, Linda Lewin, do Departamento de História da Universidade da Califórnia – Estados Unidos, premiada escritora, em busca de um dos seus bisnetos, Edísio Soares Pequeno, com o qual procurou resquícios do bisavô. Aliás, em Mãe d’Água residem outros bisnetos de Romano, a exemplo de Dona Paula, Zé Cégo e Irene Soares, cujas mães do seu pai e de sua mãe eram filhas do seu bisavô, Romano da Mãe d’Água. Enfim, como fato curioso, acrescentar que a foto que circulava como sendo de Romano, a principal da matéria, nada tem com o personagem que não deixou nenhuma imagem registrada. Trata-se de Francisco Alves Pequeno (Cônego Pequeno), que nasceu em Pocinhos, foi pároco de Campina Grande e deputado provincial. Fonte de pesquisa, o livro “Mãe d’Água do Romano” – autor Damião Lucena.
Sequência das Fotos: Josué (filho de Romano) e Cônego Pequeno – que era confundido com Romano; Edísio e Zé Cégo, Linda Lewin e Irene.
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