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Mãe d’Água na História: A Boutique de Dona Lourdes

                A história de Maria de Lourdes Campos começa a ser escrita com o seu nascimento em 12 de fevereiro de 1934, no sítio Liberdade, distrito de Cacimba de Areia, então município de Patos, como filha de Pedro Macena e Otília Rodrigues, que viviam da agricultura de subsistência. Somente após o casamento com Antônio Ferreira Campos (Tozinho), veio morar em Mãe d’Água, de onde se transferiria para o sítio Exu e daria à luz a 21 filhos, conseguindo criar oito: Maria, José Valter, Damiana (Nininha), Rosângela, Maria Rosânia, Rosilene, Laura e Rejane. Mais tarde, com o retorno à sede do município, no início da década de 80, colocaria, juntamente com o marido, um estabelecimento comercial nos fundos da casa. No início eram duas opções: enquanto Dona Lourdes produzia e vendia suas bolachas pretas, brancas e de ovos, além de uma variedade de doces, o esposo comercializava pinga, numa espécie de Boteco, termo que, talvez, tenha derivado o batismo de Boutique, simplesmente, pela semelhança de fonemas. Com a morte dele, em 19 de janeiro de 1981, aos 67 anos de idade, vítima de infarte fulminante, acabou a venda de cachaça e continuou o funcionamento da gastronomia, com lanches diários e refeições nos dias de feira.

            A Boutique de Dona Lourdes ainda prosseguiria pelo período de 10 anos. O fim da atividade decorreu do fato da proprietária ter contraído o Mal de Parkinson, passando a ser submetida a uma série de tratamentos em São Paulo e Fortaleza, sendo obrigada a vender o prédio, cujo recurso fora emprestado à dona de uma das principais farmácias de Patos, ficando acordado que o juro seria repassado em medicamentos para a sequência do tratamento. Amargou o dilema de ter sido enganada, não recebendo o que lhe era de direito, sequer o recurso histórico que repassou. Viria a falecer, 13 anos após ter sido acometida pela doença, exatamente no dia 05 de agosto de 2000, entrando na história como uma das principais quituteiras de Mãe d’Água, arte que desenvolvia na mesma época de Maria da Cebola e Helena Barros, outras gigantes da gastronomia regional. Seu ofício seria sequenciado pela filha Maria do Céo. Fonte de pesquisa, o livro “Mãe d’Água do Romano” – autor Damião Lucena.

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