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Mãe d’Água na História: Rita de Sabino e a chegada de Nossa Senhora das Dores

         Um episódio protagonizado por Sabino Viana e sua esposa Rita, contra a incursão do cangaceiro desertor Negro Heleno, teria definido Nossa Senhora das Dores como padroeira de Mãe d’Água, em lugar de São Sebastião, o primeiro santo venerado como patrono, o qual ficaria na condição de vice. O fato é narrado no livro “Mãe d’Água do Romano”, de autoria do historiador Damião Lucena.

          Natural de Moreno, no Estado de Pernambuco, Sabino José Viana nasceu em 11 de julho de 1883 e perdeu pai e mãe em uma mesma semana, vítimas do Cólera. Muito jovem abraçou a profissão de tropeiro, o que o trouxe a região de Mãe d’Água, onde conheceria a jovem Rita, primeira filha de Vicente Pereira e Maria Batista (Lica), tendo entre os irmãos: Maria, Elvira, Terezinha, Ambrosina, Antônio, Horácio e Vicente (Nogueira).  Ao ponto em que fixou morada em Mãe d’Água, Sabino trouxe sua irmã Filomena e se estabeleceu comercialmente, chegando a reunir prestígio suficiente para ser indicado delegado. Certamente, a condição de autoridade policial o fez enfrentar, quando desafiado, o Negro Heleno que, ao atacar sua casa e tentar saquear o seu estabelecimento, fora recebido à bala e o mais interessante é que Rita de Sabino, que media 1,83m, suplantou o marido de 1,78m com uma arma de maior alcance, o rifle do Papo Amarelo que, por pouco, não o feriu mortalmente. Temendo a volta do bandoleiro, Rita encaminha um pedido aos céus, no sentido de que o fato não se repita, se comprometendo a trazer uma imagem de Nossa Senhora das Dores como pagamento da promessa, concretizando o feito e abrindo margens para a devoção oficial. Mesmo mantendo um elo com Mãe d’Água, Sabino e Rita, em companhia da família, fixaram moradia em Patos, onde ele abriu uma bodega na Rua dos 18 do Forte e comprou a fazenda Farinha, encaminhando os filhos ao comércio e agricultura dentro do seu comando. Na gleba rural criaram Chico Preto, o encarregado da compra, no Barracão do sítio Marrecas, da cachaça que Rita tomava e o fumo que mascava diariamente.

            O casamento de Sabino José Viana e Rita Pereira Viana resultou no nascimento de oito filhos: Maria Amélia Viana, Zenaide Viana de Medeiros, Geraldo Pereira Viana, Noêmia Viana de Oliveira, Raimunda Viana de Menezes, Sabino José Viana Filho, Terezinha Pereira Viana e José de Anchieta Viana (Canelinha). Em 15 de junho de 1934, Sabino José Viana foi um dos jurados no caso do assassinato de Francisca, fato ocorrido em 11 de outubro de 1923, que deu origem à romaria da Cruz da Menina. O julgamento de Domila Araújo e Absalão Emerenciano, acusados que acabaram absolvidos, teve na defesa o advogado José Tavares e na acusação o promotor Alfredo Lustosa Cabral. Os demais jurados foram: Francisco Wanderley, Antônio Barbosa, Virgílio Chaves e Oscar Torres. Sabino Viana ficou viúvo em 06 de outubro de 1978 e só veio a falecer em 20 de julho de 1981.

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